O amor de Deus - Parte 2

E aí, meus queridos amigos. Tudo bem com vocês? Espero que estejam bem e felizes no amor e na constância de Deus. Iremos continuar a falar sobre o amor de Deus. Esse amor que não merecemos, mas mesmo assim Ele insiste em nos amar. Esse amor tão grande que é capaz de enviar o Filho para que pudesse morrer em nosso lugar (João 3, 16). Um amor que não se acaba e não se acabará jamais. Vamos tentar falar desse amor que tanto falamos, tanto escrevemos, mas pouco retribuímos. Você já pensou em amar à Deus de forma semelhante com que você é amado por Ele? Se amássemos Deus tal como Ele nos ama, tenho a convicção plena que nossa vida seria infinitamente melhor. Mas só poderemos amar à Deus de volta, de forma semelhante à que Ele nos ama, à partir do momento em que entendermos o quão grande é o amor de Deus por nós e o que significa esse amor que perpassa pelos séculos e continua a arder por nós.
Na semana passada, na primeira parte à respeito da reflexão sobre o Amor de Deus, falamos sobre o amor em estado ágape e eros por ter nos criado. Falamos que Deus nos criou por amor. Ele nos amou primeiro e devido este amor, nos criou. O fogo inefável vindo desse amor, como dito por Santa Catarina de Sena, obrigou Deus a nos criar, para que pudéssemos conhece-LO e participar de sua glória celeste por meio do amor.
Porém, o amor de Deus não estaciona na criação. O amor de Deus continua a ser provado todos os dias, desde o princípio (1 João 4, 10) e até o fim dos tempos (Mateus 28, 20). O amor de Deus criou o mundo, criou a mim e à você. Mas mais que isso: o amor de Deus é manifestado em provas fidedignas e elevadas! O amor de Deus é revelado e cabe a nós, homens e mulheres de boa vontade, perceber esse grandioso amor e sentirmos amados por Deus!
Não bastando Deus ser inteiramente amor e ser completo por Si mesmo, ele quis nos criar. Deus não precisaria de nós. Mas mesmo assim, Ele decide, por amor, e livremente, impulsionado por esse amor, a nos criar. Mais do que isso: por meio dessa criação, oriunda do amor, Ele decide fazer-nos o topo da criação a ponto de submeter o restante das criaturas à humanidade. Na criação, Deus diz: “enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.” (Gênesis 1, 28). Deus ainda é capaz de dar tudo que havia criado anteriormente a nós, ao dizer: “Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.” (Gênesis 1,29-30).
            O amor de Deus não para aí! Ele continua a demonstrar o seu amor ao longo da história da salvação, como, por exemplo, ao dizer em Oseias: “Quando Israel era um menino, eu o amei […]. Eu ensinei Efraim a caminhar, conduzindo-o pelos braços […]. Eu o atraía com laços humanos, com vínculos de amor; era, para eles, como quem retira o jugo e lhes dava docemente de comer […]. Como poderia abandonar-te, Efraim? […] O meu coração se comove inteiro dentro de mim, todas as minhas compaixões se acendem” (Os 11, 1-4).
Deus, não contente com todas as provas de amor já oferecidas para a humanidade, ainda quer mais! Deus já havia declarado que seu amor é “forte como a morte e suas centelhas são centelhas de fogo” (Cântico dos Cânticos 8,6), já havia manifestado o seu desejo pelo homem, que queria e apreciava o amor, se alegrando tal como “o esposo se alegra com a esposa” (Isaías 62, 5) e já havia oferecido alianças para a humanidade, demonstrando nitidamente o seu amor (leia sobre as Alianças de Deus no blog. Há textos maravilhosos lá escritos pelo Derlei, pela Ágata, pela Naiara, pela Iurá, pela Manuela e pela Mariana). Deus não havia se contentado. Ele queria mais! E como Deus poderia mostrar ainda mais o seu amor? Como Deus poderia revelar-se inteiramente, uma vez que Deus é amor? Ou seja, Deus, sendo amor, por sua natureza, para mostrar plenamente o amor, Ele deveria se mostrar, se revelar inteiramente. Para isso, então, Deus se encarna e faz com que o amor não seja simplesmente mais uma palavra, mas o amor passa a ser uma pessoa, o próprio Deus, na segunda pessoa da Santíssima Trindade. E dessa forma, cumpre-se o que o evangelista João disse: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu filho unigênito para todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3, 16).
Mas aí nos perguntamos: Por que Deus se fez homem? Por que Deus decidiu viver como um de nós e aceitar em tudo, exceto o pecado, as condições humanas? Por que Deus quis ser homem, mesmo Ele sendo Deus?
A resposta não é somente que Deus quis nos redimir. Sim, isso é correto. Mas ainda é pouco. O motivo fundamental da encarnação de Deus foi o AMOR!
O maior desejo de Deus era que existisse outro ser que O amasse o máximo de amor possível fora dele. Como o homem não foi capaz de retribuir esse amor, com o máximo possível, uma vez que o pecado impossibilita tal atitude, visto que o pecado nos priva e nos distancia de Deus, e sabendo que o amor requer proximidade, Deus, portanto, decide pela encarnação, segundo Duns Scoto (1).
Deus é amor e esse amor existe em si mesmo, sendo Ele o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esse amor faz comunhão. Esse amor é uno e trino. Através desse amor, e sendo amor, ele quer que os outros seres o amem também. Mas a resposta ainda precisa de complemento. Nesse sentido, padre Raniero Cantalamesa nos ajuda muito a entender o objetivo de Deus ao assumir a humanidade. O padre diz: “Deus quis a encarnação do Filho não só para ter alguém fora de si mesmo que o amasse de maneira digna de si, mas também e principalmente para ter fora de si mesmo alguém a quem amar de maneira digna de si! E este é o Filho feito homem, em quem o Pai “encontra toda a sua complacência” e com quem fomos todos feitos “filhos no Filho”.
Que prova de amor! Que grandiosa prova de amor há nessa encarnação! Cristo também é prova de amor de Deus para com a humanidade. E mais que isso. Segundo o padre Raniero, Cristo não é somente a prova de amor, mas também é o próprio amor de Deus que tomou forma humana para poder amar e ser amado a partir da nossa situação humana.
Padre Raniero sintetiza de maneira exemplar como devemos proceder a fim de compreender esse amor grandioso: “Se, como dizia da vez passada, todo o nosso amor por Deus deve expressar-se concretamente em amor por Cristo, é porque todo amor de Deus por nós foi antes expresso e recolhido em Cristo.”
E esse amor continua....

1.      Duns Scoto, Opus Oxoniense, I,d.17, q.3, n.31; Rep., II, d.27, q. un., n.3

(Wesley Fernandes Fonseca – Minions Católicos)

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