João Paulo II


“És o Peregrino do Amor/ Buscou os jovens com tanto ardor/ Ninguém jamais andou por tantas terras/ Nem levou a paz a tantas guerras/ Tentaram até calar a Tua voz/ Em troca revelou o Céu a nós/ Um mendigo do meu Senhor/ Por isso eu te sigo/ Peregrino do Amor” (Peregrino do Amor – Anjos de Resgate)
Karol Wojtyla nasceu em 18 de maio de 1920 na cidade de Wadowice, na Polônia, localizada a 50 km de Cracóvia. Viveu em Wadowice até 1938, quando foi estudar filosofia na Universidade Jagelónica em Cracóvia. Em outubro de 1942 entrou no seminário clandestino de Cracóvia e em 01 de novembro de 1946 foi ordenado sacerdote [1; 2].
Em 04 de julho de 1958, o papa Pio XII nomeou-o bispo auxiliar de Cracóvia. Foi ordenado bispo em 28 de setembro de 1959, e escolheu como lema episcopal a expressão mariana Totus tuus, de São Luís Maria Grignion de Montfort [1]. O Tratado da Verdadeira Devoção da Santíssima Virgem, de São Luís Maria marcou muito a espiritualidade de Wojtyla ainda no seminário, tirando-lhe as dúvidas que tinha quanto a devoção a Nossa Senhora. Sobre o Tratado, certa vez ele disse: “Eu próprio, nos anos da minha juventude, tirei grandes benefícios da leitura deste livro, no qual ‘encontrei a resposta às minhas perplexidades’ devidas ao receio que o culto a Maria, ‘dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo’. Sob a orientação sábia de São Luís Maria compreendi que, quando se vive o mistério de Maria em Cristo, esse risco não subsiste. O pensamento mariológico do Santo, de fato, ‘está radicado no Mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo de Deus’” [3].
Em 13 de janeiro de 1964 foi nomeado arcebispo de Cracóvia. Participou de todas as sessões do Concílio Vaticano II, desde o tempo em que era bispo auxiliar, e por sua participação do Concílio, em 26 de junho de 1967 foi nomeado cardeal pelo papa Paulo VI [1].
Como cardeal participou no Conclave convocado depois da morte do papa Paulo VI que elegeu o papa João Paulo I e no Conclave seguinte, após o falecimento do papa recém eleito, cujo pontificado durou apenas 33 dias. Karol Wojtyla foi eleito papa em 16 de outubro de 1978, depois de oito escrutínios. Foi o primeiro papa eslavo da história e o primeiro não-italiano depois de quase meio século. Seu pontificado foi um dos mais longos da história, durou pouco mais de 26 anos, encerrando-se com seu falecimento em 02 de abril de 2005 [1].
Seu pontificado teve uma atividade intensa, ele foi o papa que mais viajou na história, tendo visitado 129 países nos cinco continentes. Por isso ficou conhecido como o papa peregrino [1; 4]. Ele visitou o Brasil quatro vezes: junho de 1980, junho de 1982 (uma escala da visita a Buenos Aires), outubro de 1991 e outubro de 1997 [4; 5].
Por ocasião da primeira visita de um papa ao Brasil, em 1980, foi composta a música: “A bênção, João de Deus” por Péricles de Barros e Moacyr Geraldo Maciel[6]. Durante 12 dias (de 30 de junho a 12 de julho) João Paulo II percorreu as cidades de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Teresina (escala no aeroporto), Belém, Fortaleza e Manaus [7]. O papa foi recebido no país por João Figueiredo, último presidente da ditadura militar. No país visitou presídios, as favelas do Vidigal, no Rio de Janeiro e a de Alagados, em Salvador; e um grupo de indígenas na Amazônia. Consagrou a Basílica de Aparecida; participou do X Congresso Eucarístico Nacional, acontecido nesse período em Fortaleza e beatificou o jesuíta José de Anchieta (canonizado em 03/04/2014 pelo Papa Francisco) [7; 8; 9].
Em 11 de junho 1982 passou rapidamente pelo Brasil a caminho da Argentina, e fez um discurso no aeroporto. Em seu discurso, pediu aos Brasileiros que rezassem pela paz no mundo, um pedido muito presente em seu pontificado [10].
Entre 12 – 21 de outubro de 1991 esteve novamente em visita ao Brasil. Visitou as cidades de Natal, Brasília, Goiânia, Cuiabá, Campo Grande, Florianópolis, Vitória, Maceió e Salvador [11]. Em sua visita a Florianópolis beatificou Madre Paulina [12] (canonizada pelo próprio Papa João Paulo II em 19/05/2002). Visitou doentes, favelas, grupos indígenas, falou aos jovens, aos sacerdotes, bispos e aos diplomatas[11].
A última viagem apostólica ao Brasil foi nos dias 2 – 5 de outubro de 1997, onde participou do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias na cidade do Rio de Janeiro (o primeiro foi em Roma, criado por ele em 1994), cujo tema foi: “A família: dom e compromisso, esperança da humanidade” [13]. Nessa visita, o papa ressalta a importância das famílias para a construção de uma sociedade mais santa, e falou em defesa da vida desde a concepção [13].
No dia 13 de maio de 1981 João Paulo II sofreu um atentado na Praça São Pedro, no Vaticano: o turco Mehmet Ali Agca atirou contra o papa, mas, de acordo com o Pontífice, foi salvo pela Virgem de Fátima. No ano seguinte, foi a Fátima agradecer por sua recuperação. A bala que perfurou seu abdômen foi colocada na coroa da imagem de Fátima. João Paulo II foi um fiel devoto de Nossa Senhora de Fátima, e visitou seu santuário três vezes: em 1982, 1991 e 2000, quando beatificou os videntes Francisco e Jacinta [19; 20; 21].
O papa João Paulo II também foi quem criou as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ). Em 1984 aconteceu em Roma o Jubileu dos Jovens para o Ano Santo da Redenção. Em 22 de abril desse ano o Papa entregou a cruz aos jovens, como símbolo do amor de Jesus para a humanidade, proclamando que só Cristo morto e ressuscitado é a salvação e redenção [14; 15]. No ano seguinte, proclamado pela ONU como o Ano Internacional da Juventude, João Paulo II dedicou uma Carta Apostólica aos jovens, convidando-os para a Primeira Jornada Mundial da Juventude em Roma, em 1986, realizada no Domingo de Ramos, com o slogan “Sempre prontos a responder a quem vos perguntar a razão de vossa esperança” (1Pd 3, 15) [14; 15].
Em 1987 o pontífice convocou os jovens a um encontro em Buenos Aires. A partir daí, a JMJ tornou-se um encontro de peregrinação internacional. Desde então é realizado um grande encontro internacional a cada três anos, geralmente entre o fim de julho e meados de agosto, período de férias escolares no Hemisfério norte e férias de inverno no Hemisfério Sul. Por esses encontros com a juventude ele ficou conhecido como o Papa dos jovens [15].
João Paulo II contribuiu muito para o fim do Socialismo na Polônia, a queda do muro de Berlim em 1989 e o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1991 [1; 16]. Desde o início do seu pontificado, ele lutou contra o comunismo, e acompanhou de perto a situação da Polônia, seu país de origem, inclusive visitando-o diversas vezes. O apoio do papa ao Solidariedade, sindicato que lutava contra o poder comunista, foi muito importante para a queda do comunismo na Polônia, que iniciou o “efeito dominó”, que levou a queda do comunismo na Hungria, Áustria e Alemanha Oriental; até a queda da URSS em agosto de 1991 [16].
Em 1983 o papa promulgou o novo Código de Direito Canônico [17] e em 1989 providenciou a reforma da Cúria romana com a constituição apostólica Pastor bonus [18]. Durante seu pontificado, foram proclamados 1338 beatos e 482 santos [1].
 Em 29 de novembro de 1998 o Papa João Paulo II escreveu a bula Incarnationis mysterium, lançando o Grande Jubileu do ano 2000, que teve início no natal de 1999 com a abertura da Porta Santa [22] e foi finalizado no dia 06/01/2001 (Epifania do Senhor) [23].
Durante esse ano jubilar, um tempo de penitência e ao mesmo tempo alegria pelos dois mil anos do nascimento de Jesus, um dos momentos de maior destaque foi o dia do perdão, celebrado em 12/03/2000 [24]. Durante a homilia do dia do perdão, o Papa disse: “Como Sucessor de Pedro, pedi que "neste ano de misericórdia a Igreja, fortalecida pela santidade que recebe do seu Senhor, se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos" (ibid.). Este primeiro domingo da Quaresma pareceu-me a ocasião propícia para que a Igreja, reunida espiritualmente à volta do Sucessor de Pedro, implore o perdão divino para as culpas de todos os crentes. Perdoemos e peçamos perdão!” [24].
A partir do fim do Ano Jubilar entramos na fase final do pontificado de João Paulo II. Seu estado de saúde foi piorando, ele sofreu de Mal de Parkinson, e faleceu por complicações causadas por essa doença. Faleceu em 02 de abril de 2005, depois de uma longa e angustiante agonia [1; 25].
Após 26 dias do falecimento de João Paulo II, o papa Bento XVI concedeu a dispensa dos cinco anos de expectativa prescritos, dando início ao seu processo de canonização. Bento XVI o beatificou em 01 de maio de 2011 [1; 26]. Sua canonização foi realizada pelo papa Francisco em 27 de abril de 2014, juntamente com o Papa João XXIII [26; 27].
Difícil resumir 25 anos de pontificado em um texto, a gente quer falar tudo minuciosamente, então peço perdão pelo textão. Foi um prazer imenso mergulhar um pouco na missão incrível do nosso eterno Peregrino do amor. Nas minhas buscas encontrei dois filmes, que recomendo para quem quer conhecer mais sobre a vida deste grande santo: “Karol: o homem que virou papa” e “Testemunho: a história secreta do Papa João Paulo II” este último é baseado no livro "Uma vida com Karol", do Cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, e amigo pessoal de João Paulo II (os dois tem no Youtube).
Que São João Paulo II interceda por nós!
Salve Maria Imaculada!
Caroline Azevedo – Minions Catolicos 1.0
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Referências:
7] http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/travels/1980/travels/documents/trav_brazil.html
16] https://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2005/04/02/ult1766u8936.jhtm
26] https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/especiais/canonizacao-dos-papas/confira-a-cronologia-dos-processos-de-canonizacao-de-joao-paulo-ii-e-joao-xxiii-8fqrc6zq4hcretz4o29xwdiku
27] http://www.vatican.va/special/canonizzazione-27042014/index_po.html

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