A vocação para ser família passa pela vocação à felicidade


E aí, meus queridos amigos. Tudo bem com vocês? Que a paz de Cristo esteja em nossos corações.
Estamos em agosto, o mês vocacional. E é propício abordamos um tema tão importante nesse mês das vocações: a família. Celebramos, nesta última semana, a semana nacional da família, abordando temas preciosos para que possamos defender a célula vital da sociedade. A família, projeto de Deus para os homens e mulheres vocacionados ao sacramento do matrimônio, é o local em que o amor e o perdão reinam sobre o ódio e a indiferença, onde a construção dos laços se dá não por mera pertença sanguínea, mas sim por um vínculo de união fraterna no qual os membros da família se amam, se respeitam, aceitam as diferenças e lutam em prol do bem comum.
Falar sobre família chega a parecer utópico, pois vivemos no mundo pós-moderno no qual o conceito de socialização tende a se assemelhar ao isolamento social extremo. Nunca estivemos tão próximos mas ao mesmo tempo tão distantes uns dos outros, como nos dias atuais. Vivemos conectados aos outros através das redes socais, sabendo do que se passa no mundo e também na vida de todas as pessoas ao nosso redor, mas somos completamente ignorantes para saber o que se passa na vida daquele que moram na mesma casa. Ignoramos o fato de que a família é um dom de Deus, pois nutrimos o desejo de não pertencer àquela família, diante dos problemas e dificuldades enfrentados. Hoje, temos mais esperança de construímos a nossa própria família, saindo de casa e tendo nosso próprio lar, do que lutar dentro de casa para que o Reino de Deus se estabeleça ali!
É nosso dever, como cristão, lutar pela família, e não sair dessa célula! A quantidade de lares devastados, de famílias destruídas, de famílias rachadas é enorme. Certamente, um de nós conhece um amigo ou alguém próximo que possui um histórico familiar ruim. É triste ver que as famílias estão se separando, que as brigas superam os entendimentos, que o desejo de pertença à família inexiste, que a indiferença cresceu em meio aos corações e que há tantos filhos que saem de casa.
Hoje, você ter uma família, sair com seus pais e irmãos, ter amor à sua família é algo brega! Somente em ocasiões especiais como dia dos pais, dia das mães, aniversário do pai ou da mãe é que temos coragem suficiente de postar as fotos com declarações de amor já ditas por qualquer outra pessoa na Internet por aí.
A vocação de família é tida como última necessidade pelos jovens atualmente. Antes, é necessário sonhar outros sonhar. Quiçá, seus sonhos devem ser sonhados primeiros que os sonhos de Deus. E isso é completamente errado! O pensamento mundano é que temos primeiro que terminar a faculdade, conseguir um emprego, viver um pouco a vida, encontrar com os amigos, curtir umas baladinhas para DEPOIS, SÓ DEPOIS pensarmos em família! E olhe lá! Nem sempre isso realmente acontece. Muitos jovens tem pensado, na verdade, que não vale a pena casar. No máximo, o que muitos pensam, é juntar as coisinhas e morar junto com alguma pessoa. E se der errado, ótimo! Vai cada um pro seu canto e começa tudo outra vez, só que com outra pessoa.
O “amor” vivido e ilustrado atualmente não passa de carência e mera dependência afetiva. Não vivemos o amor real mas um amor fantasioso onde “se não der certo, larga”. O amor tem prazo de validade, tem curta duração, tem tempo contado para terminar. O amor finda-se nas brigas cotidianas, nos casos mal resolvidos, nas traições somente buscando o sexo e na falta de detalhes que alimentem o que é o amor.
O modelo de família, tal como o cristão deve ter, que é Jesus, Maria e José, é antiquado, pensam os jovens. O mundo pensa que não dá pra ser como Maria e deixar tudo para cuidar de quem está doente, como Nossa Senhora fez. Não dá pra abdicar da vida e dos sonhos para aceitar os sonhos de Deus, como Maria fez diante da anunciação do anjo, pensa o mundo. Mas isso não é verdade! Viver os planos de Deus é uma dádiva e uma delícia!
Viver a vocação de ter uma família é antes de tudo uma necessidade PRIMÁRIA! E não a última!
Deve ser a primeira coisa a se pensar, quando desejamos ser feliz. E não a última. A vocação da família não atrapalha a conquistar os nossos objetivos e sonhos. Ter uma família não impede que atinjamos os nossos outros objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais. Viver o sonho de Deus é uma necessidade que grita em nossos corações.
Santo Afonso de Ligório chega a afirmar que: “dificilmente alguém será salvo vivendo num estado vocacional diferente daquele que lhe é chamado”. Em outras traduções, a frase é mais enfática ainda, dizendo: “Aquele que erra na sua vocação específica vai pro inferno”.
A verdade é que a vocação para a família passa também pela vocação à felicidade e também pela vocação à santidade. Não há a menor possibilidade de ser feliz sem viver a sua vocação correta e corretamente. E não há como ser santo sem ser feliz!
Dificilmente São Francisco de Assis seria santo e receberia tantas graças de Deus se continuasse sendo um vendedor de tecidos pois a vocação dele era o sacerdócio e era a santidade. Dificilmente Santa Gianna seria santa aos olhos da Igreja se tivesse recusado seu chamado à ser mãe e esposa. Portanto, viver corretamente sua vocação te faz ser feliz e te leva ao céu!
Eu lhe pergunto: o quanto você tem adiado os sonhos de Deus a ponto de viver os seus sonhos primeiro? E eu te questiono ainda mais: você é feliz assim? Se sim, experimente viver os sonhos de Deus e verá que isso que você vive não é felicidade e sim mero contentamento. Se você não é feliz, experimente viver o sonhos de Deus para você e experimentará também a felicidade.
Que Deus te abençoe e viva a vocação com urgência. Nós temos urgência em ser feliz!

Wesley Fernandes Fonseca - Sentinelas do Humor

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