Olá, querido sentinela! A paz de Jesus
esteja com você! No contexto do mês vocacional, neste 4º domingo de agosto, a
Igreja celebra o Dia Nacional do Catequista! É com muita alegria que eu escrevo
o texto de hoje, por ser a pastoral queridinha do meu coração. Sou catequista
há 14 anos (me dei conta disso agora... isso é mais da metade da minha vida!
Meu Deus, estou chocada!) e, além de conversar sobre esta pastoral, quero
partilhar um pouco da minha vivência com você.
Primeiro, vamos entender o que é
catequese: A palavra catequese é de origem grega e significa “ecoar”. No caso,
ecoar a Palavra de Deus. Desde o início da história da Igreja a catequese tem a
função de formar discípulos a fim de edificar o Corpo de Cristo. Nesse
contexto, a catequese consiste em um processo formativo, sistemático, progressivo e permanente na educação na fé [1]. Quero destacar os termos em
negrito para entendê-los um pouco melhor:
·
Formativo:
levar os conteúdos de fé da nossa Igreja. Ensinar os princípios básicos da
nossa fé.
·
Sistemático:
possui uma metodologia, um programa de conteúdos, de temas a serem abordados de
acordo com a idade e a realidade dos catequizandos.
·
Progressivo:
conforme o catequizando vai avançando na caminhada cristã, o Mistério de Cristo
vai sendo revelado a ele.
·
Permanente:
a catequese básica que conhecemos, que em geral envolve a preparação para os
Sacramentos da Iniciação Cristã nos dá o básico de conhecimentos em relação a
nossa fé. Além disso, sempre temos o que aprender. Não é porque já somos
crismados que sabemos de tudo.
Agora, entendendo o que é catequese,
vamos conversar sobre a pessoa do catequista. No Diretório Nacional de
Catequese (DNC), documento da CNBB que contém as diretrizes da catequese no
Brasil diz que: “O catequista é um
mediador que facilita a comunicação entre os catequizandos e o mistério de Deus,
das pessoas entre si e com a comunidade” [2]. Para mediar a comunicação
entre os catequizandos o mistério divino, o catequista deve, em primeiro lugar,
experimentar esse amor, para ecoar sua experiência e semear o desejo de
experimentar o amor de Deus nos catequizandos.
Todos nós, pelo sacramento do Batismo
somos chamados a profetizar, o próprio Jesus nos incumbe dessa missão: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações;
batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar
tudo o que vos prescrevi.” (Mt 28, 19-20a). Nesse sentido “A vocação do
catequista é a realização da sua vida batismal e crismal, na qual, mergulhado
em Jesus Cristo, participa da missão profética: proclamar o Reino de Deus.
Integrado na comunidade eclesial e enviado por ela, conhece a sua realidade e
aspirações, sabe utilizar a pedagogia adequada, animar e coordenar com a
participação de todos.” [3]
Muitas pessoas vêem os catequistas e
acham que é uma missão extremamente complicada. Mas não é... o catequista não
precisa saber de tudo. Basta ter vontade de aprender e se colocar a serviço.
Buscar formação na sua comunidade, estudar o Catecismo da Igreja Católica,
estudar a Palavra de Deus é importante. Como disse o arcebispo daqui de
Londrina (D. Geremias Steinmetz) numa formação para catequistas, nós temos que
estudar bastante, para levar a Palavra de forma simples, aplicada ao dia-a-dia
dos catequizandos. Além disso, o catequista deve também dar testemunho em sua
vida particular. Aqui não cola aquele ditado “faça o que eu digo, mas não faça
o que eu faço”. Se palavras lindas atraem as pessoas, o testemunho é capaz de
arrastar muito mais, mostra que é possível viver a Palavra de Deus na nossa
realidade.
Até agora, eu falei do quanto o
catequista se doa, do que ensina, mas também, catequizar acaba sendo uma troca.
Ao ensinar a doutrina, nós catequistas também aprendemos com os catequizandos,
com as perguntas que eles fazem, com suas histórias de vida, seus testemunhos,
com um olhar diferente sobre alguma passagem bíblica... É uma experiência
enriquecedora, que nos ensina o amor, nos ensina a ter mais empatia, entre
tantos outros aprendizados. Acho que não tem alegria maior pra um catequista do
que ver seus catequizandos se apaixonando por Jesus, e seguindo os seus passos,
não por mérito nosso, mas por graça do Espírito Santo.
Eu cresci dentro de salas de catequese,
quando eu era criança, minha mãe dava catequese na nossa paróquia (ela dava
catequese desde antes de casar com meu pai), e levava eu e minha irmã (se você
é um leitor assíduo do blog, ela também escreve por aqui... as reflexões da
liturgia de quarta-feira). Quando tínhamos 10 anos (somos gêmeas), nos mudamos para
uma chácara, fomos fazer catequese em outra comunidade que era perto da casa da
minha vó, mas não era tão perto de casa, e a gente não tinha como ir sozinha. Fizemos
1 ano de catequese nessa comunidade, e depois, começamos a participar numa
comunidade um pouco mais próxima de casa. Minha mãe foi inscrever a gente na
catequese. Por ser uma região com muitos sítios, a catequese era dada em casa,
a gente ia no catequista mais próximo, que se organizava com as diversas etapas
que tinham. No caso, o sítio que a gente tinha que ir era um tantinho longe, aí
minha mãe conversou se poderia dar catequese em casa pra nós. Naquele ano,
minha mãe pegou duas turmas: uma de preparação para o Crisma (eu e minha irmã)
e outra de crianças iniciando a catequese, que eram nossos vizinhos. No ano
seguinte choveram crianças e adolescentes em casa pra fazer catequese. A
catequese durava 6 anos (nesse ano, eu iria pro 5º) e minha mãe não sabia o que
fazer pra dar conta de todas essas turmas, olhou pra nós e viu potenciais
catequistas. Ela conversou com a coordenação e com o padre, e ficou de
supervisionar a gente. Depois ela nos convidou e lá fomos nós, por livre e
espontânea pressão (Tem nem como falar não pra mãe, né gente?!), pegamos as
turmas iniciais, e ela ficou com os mais velhos (inclusive a gente). E, cá
estou... acho que desse período, fiquei uns 3 anos sem dar catequese, por conta
dos estudos e de mudança de casa de novo (tá, subtrai 3 anos, dos 14 citados
anteriormente, ficam 11 anos ainda, hehe). Depois que nos integramos a nova
comunidade, voltamos a catequese, inclusive caí de paraquedas na coordenação com
menos de 1 ano de catequese, e já faz 84 anos que estou aqui... (mentira, mas
faz quase 7). Por isso eu digo que Deus nos quis catequista nem que fosse na
marra! Nesses 11 anos de catequista, vivi muita coisa, aprendi muita coisa,
acho que aprendi muito mais como catequista do que quando eu fazia catequese.
Lembro de olhar pro material enquanto preparava encontros algumas vezes e
pensar: “gente, eu não lembro disso!” hahahah... (se você foi minha catequista
e está lendo esse texto, peço desculpas, e estou fazendo a cara do gato de
botas do Shrek).
Parece um tanto clichê, mas é verdade,
Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos. Lá aos meus 13
anos não se poderia dizer que eu era uma pessoa plenamente capacitada, nem
minha catequese eu tinha terminado ainda. O que aquela jovenzinha de 13 anos
tinha de conhecimento? Mas foi graças ao sim daquela época que eu me encantei
pela pastoral catequética. Uma passagem que marcou a minha missão de catequista
é esta: “Replicou porém o Senhor: ‘Não
digas: sou apenas uma criança: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais
te enviar e a eles dirás o que eu te ordenar. Não deverá teme-los porque
estarei contigo para livrar-te – oráculo do Senhor.’” (Jr 1, 7-8) Lembro de
ter lido pela primeira vez esta passagem na catequese, e ter ficado encantada.
Com certeza essa resposta de Deus a Jeremias, foi também uma resposta pra mim.
Não foi por acaso, Deus me escolheu para esta missão, portanto é meu dever me
preparar para exercer da melhor forma possível. Sou imensamente grata a Deus
por isso.
Neste dia em que celebramos o dia do
catequista, gostaria de convidar você a se lembrar dos seus catequistas e
dedicar uma oração agradecendo pelo dom da vida deles, e por se colocarem a
serviço de Deus, apesar dos seus desafios e da sua vida pessoal. Reze pelos
catequistas de sua comunidade, responsáveis por formar o futuro da nossa
Igreja.
Aos meus colegas catequistas de todo
Brasil, desejo um feliz dia do catequista, que Deus abençoe a nossa missão, e
que Ele nos guie para que possamos preparar bem o terreno dos corações daqueles
que nos são confiados, para que a semente do amor de Deus possa encontrar um
solo fértil para crescer e se desenvolver. A você que não é catequista, se esse
texto fez brotar no seu coração um interesse em dar catequese, procure o
coordenador da sua comunidade. Posso dizer que tem sido tão difícil encontrar
catequistas ultimamente, acredito fortemente que você vai ser recebido com
grande alegria (se for da minha comunidade, com toda certeza eu vou pular de
alegria!).
Fique com Deus e Salve Maria Imaculada!
Camila
Azevedo – Sentinelas do Humor
_____________________________
Referências
1
ARQUIDIOCESE DE
LONDRINA. Apostila da escola catequética paroquial – 2º Tempo. 2ª Edição.
Londrina, 2012.
2
DNC 172
3
DNC 173

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